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Hospital é condenado por morte de paciente com apendicite após atraso cirúrgico

A 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais manteve a condenação de um hospital pela morte de uma paciente de 21 anos, em razão de falha na condução do tratamento de apendicite aguda. A indenização por danos morais, fixada em R$ 50 mil, foi preservada pelo colegiado.

Entenda o caso

A paciente foi internada em março de 2013 com diagnóstico de apendicite aguda, quadro que, via de regra, demanda intervenção cirúrgica em caráter de urgência. No entanto, o médico responsável optou por uma abordagem conservadora, realizando drenagem local e adiando o procedimento cirúrgico.

Apesar do registro de estabilidade clínica, houve progressiva piora do quadro, culminando em infecção generalizada (sepse), insuficiência respiratória e renal. A paciente foi transferida para a UTI e, posteriormente, submetida a cirurgia emergencial, mas não resistiu, vindo a óbito.

Responsabilidade civil e falha na prestação do serviço

A família ajuizou ação indenizatória alegando negligência e imperícia na condução do tratamento. O hospital, em sua defesa, sustentou ausência de nexo causal, além de apontar suposta gravidade prévia do quadro e culpa concorrente da paciente.

Contudo, a prova pericial foi determinante para o desfecho do caso.

O relator destacou que houve:

  • Escolha inadequada da conduta terapêutica inicial
  • Persistência injustificada em tratamento ineficaz
  • Demora na adoção de intervenção cirúrgica necessária

Esses fatores contribuíram diretamente para a evolução do quadro infeccioso e, consequentemente, para o óbito.

Relevância da prova técnica e processo ético

Um ponto de destaque foi a convergência entre a prova judicial e a apuração administrativa no âmbito do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, que aplicou censura pública ao profissional envolvido, reconhecendo imprudência e negligência.

Esse alinhamento reforça a robustez do conjunto probatório, especialmente em demandas de responsabilidade civil médica, nas quais o elemento técnico é central.

Aspectos jurídicos relevantes

O caso evidencia importantes premissas no âmbito do Direito Médico e Hospitalar:

  • A responsabilidade do hospital pode ser objetiva, especialmente quando vinculada à falha na prestação do serviço
  • A conduta médica deve observar os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas adequadas
  • A persistência em tratamento ineficaz pode configurar erro médico por negligência
  • O nexo causal pode ser reconhecido quando a falha contribui para o agravamento do quadro, ainda que não seja a única causa

Reflexão prática

Casos como este reforçam a importância de:

  • Diagnóstico precoce e conduta adequada em situações de urgência
  • Revisão clínica constante diante de evolução desfavorável
  • Registro médico claro e coerente com a realidade clínica

Para pacientes e familiares, o julgamento demonstra que falhas assistenciais, quando comprovadas, geram o dever de indenizar.

Precisa de orientação jurídica?

Situações envolvendo erro médico, atraso no diagnóstico ou falha na prestação de serviços de saúde exigem análise técnica especializada.

Se você ou sua família passaram por circunstância semelhante, é fundamental avaliar o caso com profundidade, à luz das provas médicas e jurídicas disponíveis.

Entre em contato para uma análise criteriosa e segura do seu caso.

Processo nº: 1.0000.25.417342-0/001

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